A adoção da inteligência artificial tende a ampliar a produtividade
da economia brasileira nos próximos anos, com efeitos tanto sobre o
trabalho quanto sobre máquinas e processos. Estimativas indicam que a
tecnologia pode adicionar R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto até
2030, valor equivalente a 7,6% do PIB estimado para 2026.
O levantamento do Reglab avaliou 12 setores da economia. Os maiores
ganhos projetados estão na indústria de transformação, com R$ 264,2
bilhões, nos serviços, com R$ 165,4 bilhões, e no comércio, com R$ 131,2
bilhões. O estudo, financiado pela OpenAI, considera que 65% do
crescimento estimado deve vir de ganhos de produtividade da força de
trabalho e 35% da maior eficiência do capital.
Na agropecuária, a estimativa é de um acréscimo de R$ 48,2 bilhões
até 2030. O avanço está associado principalmente à modernização de
máquinas e processos, com uso de drones, colheitadeiras inteligentes e
sistemas de monitoramento do solo. Em outras atividades, como o setor
financeiro, o impacto tende a ocorrer sobretudo pelo apoio da tecnologia
aos profissionais em tarefas como análise de crédito, revisão de
documentos e classificação de riscos.
A pesquisa avalia que o efeito econômico pode ser ainda maior, já que
o ritmo de adoção da inteligência artificial no Brasil permanece abaixo
do observado em economias mais avançadas. Para o Reglab, os resultados
devem surgir de forma gradual e cumulativa, conforme empresas,
trabalhadores e governos incorporarem novas ferramentas às atividades
produtivas.
Os pesquisadores também apontam a necessidade de requalificação
profissional, expansão da infraestrutura digital no campo, incentivos à
adoção da tecnologia em setores de baixa produtividade e maior
previsibilidade regulatória para ampliar os ganhos esperados.