O presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado, usou as redes sociais nesta
quarta-feira (22) para criticar a fala do senador e também pré-candidato
à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra as urnas eletrônicas.
O
ex-governador de Goiás afirmou que Flávio Bolsonaro poderia ter usado a
oportunidade de falar com embaixadores estrangeiros para atrair
investimento para o Brasil.
"Quarenta
e dois embaixadores numa sala: dava pra vender soja. Dava para abrir
mercado para indústria. Dava para atrair investimento", afirmou.
Na
terça-feira (21), o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) repetiu o
pai ao falar de maneira infundada contra as urnas e colocar em dúvida a
lisura das eleições brasileiras junto a autoridades de outros países.
Em
uma reunião com a plateia estrangeira, ele afirmou que as urnas
eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa
venezuelana Smartmatic, o que é falso, citando que a marca estaria
envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de
2012.
Em
2023, Jair Bolsonaro ficou inelegível por promover ataques e mentiras
contra o sistema eleitoral em reunião no ano anterior com embaixadores. O
ex-presidente está em prisão domiciliar por ter tentado um golpe de
Estado.
O
confronto de Caiado contra seu principal oponente da direita na eleição
presidencial de 2026 tem acontecido de maneira mais frontal com a
proximidade do pleito e o enfraquecimento de Flávio em razão de
escândalos como o envolvimento com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do
Banco Master.
No
início da pré-campanha, Caiado evitava fazer críticas mais duras a
Flávio, mesmo quando questionado por jornalistas. Ele centrava a
oposição ressaltando a falta de experiência do senador no Executivo, mas
evitava atacá-lo em temas mais polêmicos, como a acusação de
rachadinha.
A
mudança de estratégia do político tem acompanhado também a divulgação
de pesquisas que apontam que candidatos da direita menos expressivos,
como o próprio Caiado e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, têm
chances contra o presidente Lula (PT) no segundo turno, em razão da
alta rejeição do petista e do ambiente polarizado.
No
confronto direto contra a família Bolsonaro, Caiado também criticou a
concessão de green card pelos Estados Unidos ao ex-deputado federal
Eduardo Bolsonaro.
O
ex-governador de Goiás afirmou que quem precisa do benefício "é o
produtor brasileiro para entrar no mercado americano", reforçando também
o posicionamento a favor do agro.
Eduardo
Bolsonaro recebeu o green card do governo de Donald Trump na
segunda-feira (20), depois de temporada no país na qual orquestrou ações
contra o governo brasileiro.
O
goiano também atrelou o endosso de Jair Bolsonaro à candidatura de
Flávio, por meio de uma carta lida pelo senador no dia 11 de julho, a
uma "extrema fragilidade" do político.
Na
ocasião, Caiado afirmou que "o eleitor não quer um presidente que
precise de aval constante de outra liderança". "Estamos em uma campanha
eleitoral. Quem tem que responder somos nós, os candidatos."