O consumo global deve avançar para um novo recorde - Foto: Divulgação
A produção mundial de grãos deve recuar na
temporada 2026/27, embora permaneça em nível historicamente elevado. A
estimativa indica a segunda maior safra já registrada, mas com queda de
2,7%, ou 69 milhões de toneladas, ante o recorde de 2,49 bilhões de
toneladas do ciclo anterior.
Segundo o Conselho Internacional de Grãos, a redução será puxada
principalmente por safras menores de milho e trigo, além de recuos
esperados para aveia, sorgo e centeio. As projeções para milho e trigo
ficaram praticamente estáveis em relação ao relatório de junho. A
produção de milho é estimada em 1,306 bilhão de toneladas, 23 milhões
abaixo do ano anterior, enquanto a de trigo deve recuar 37 milhões, para
821 milhões.
O consumo global deve avançar para um novo recorde. Com a oferta mais
apertada, os estoques finais podem cair 26 milhões de toneladas, para
610 milhões. O comércio mundial de grãos também tende a diminuir, com
retração prevista de 17 milhões, para 450 milhões, principalmente por
embarques menores de trigo e cevada para a Ásia do Oriente Próximo e o
Norte da África.
A oferta dos grandes fornecedores do Mar Negro ainda deve sustentar
as exportações, mas o cenário ficou mais incerto com a intensificação do
conflito entre Rússia e Ucrânia e os impactos sobre a logística.
Para a soja, a projeção é de alta de 10 milhões de toneladas, para o
recorde de 441 milhões, apoiada por safras maiores no Brasil e nos
Estados Unidos. O uso global pode chegar a 445 milhões de toneladas,
também recorde, enquanto o comércio deve crescer 2% com a demanda
asiática. Já a produção mundial de arroz deve cair cerca de 1%, ao mesmo
tempo em que o consumo avança 1%. Desde junho, o índice de preços de
grãos e oleaginosas subiu 7% e está quase 12% acima de julho de 2025.