Sasha Devis tinha 16 anos
quando viu a sua identidade ser usada por uma desconhecida, que durante
anos fingiu ser ela nas redes sociais. A suspeita era Elha-Mai Weston e
foram precisos quatro anos para descobri-la.
A
mulher, assim como Sasha, reside em Glamorgan, País de Gales, e teria
milhares de seguidores no Snapchat, TikTok, Facebook e Tinder. Porém,
usava diversos perfis falsos.
Em
um desses, usava a foto de Sasha e fingia chamar-se Sophie. A vítima só
descobriu o que estava acontecendo depois de vários homens a terem
abordado na rua, afirmando conhecê-la e alegando serem namorados.
Sasha
informou de imediato as autoridades sobre o que estava acontecendo, mas
foram precisos quatro anos investigando em sete plataformas até que se
conseguisse chegar à suspeita.
Sasha acabou registrando uma queixa contra a mulher em um tribunal de Londres e o caso ficou encerrado esta semana.
"Há
quatro anos, uma pessoa estava vivendo a vida como se fosse eu, falando
com homens como se fosse eu, enquanto pessoas me abordavam na rua como
se me conhecessem", começa lembrando a jovem vítima.
"Denunciei
a situação muitas vezes e fiquei sentindo que nada podia ser feito.
Deixei de me sentir segura na minha própria casa", continuou.
Em
tribunal, considerou-se que Elha-Mai Weston "envolveu-se em uma
campanha prolongada de usurpação de identidade online, vulgarmente
conhecida como “catfishing”" tendo "criado e gerido inúmeras contas sob a
identidade fictícia “Sophie” e variantes da mesma, incluindo “Sophie
Kadare”.
No total, concluiu-se, que a usurpadora'' juntou mais de 100 mil seguidores no total de todas as plataformas usadas.
Agora,
a mulher vai ter de pagar uma indenização de 10 mil libras [mais de 60
mil reais] à vítima, revela o The Independent. Apesar da vitória perante
a justiça, a defesa de Sasha lamenta que tenham sido necessários tantos
anos para descobrir a identidade da suspeita, tudo por questões
relacionadas com o direito ao anonimato.
"Durante
quatro anos, a Sasha fez tudo certo. Reportou [a situação] junto das
plataformas, reportou à polícia, e ninguém a ajudou porque a pessoa
atrás das contas era anônima e todos consideravam que o anonimato era o
fim da linha", defendeu o advogado da jovem.
"Não
é. A identificamos através de informações de fontes abertas, a partir
dos vestígios deixados pelas suas próprias contas. Assim que um
'catfish' perde o anonimato, a campanha desmorona-se", disse satisfeito
com o fim desta batalha.