As exportações brasileiras de arroz
no primeiro semestre de 2026 ajudaram a reduzir a pressão da oferta
sobre o mercado interno e abriram espaço para uma recuperação gradual
dos preços pagos aos produtores. A avaliação é do presidente da
Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul, Denis Dias
Nunes.
De acordo com o dirigente, o volume
embarcado entre janeiro e junho aumentou mais de 80% em comparação com o
mesmo período de 2025, configurando um dos melhores resultados já
registrados pelo setor. “O forte ritmo das exportações deu liquidez aos
produtores, que puderam direcionar parte da produção ao mercado externo,
evitando uma oferta excessiva no mercado doméstico”, analisa. Nunes
acrescenta que os mecanismos de apoio ao escoamento também contribuíram
para elevar a remuneração da saca.
Embora as vendas externas tenham avançado
de forma significativa, a receita obtida foi inferior à registrada no
ano passado em razão da queda das cotações internacionais. “Os primeiros
embarques de 2025 foram negociados com valores superiores a R$ 90 por
saca, enquanto neste ano os preços ficaram na faixa dos R$ 60,
representando uma redução próxima de um terço”, compara.
Sobre os destinos das exportações, Nunes
afirma que os principais mercados permaneceram praticamente os mesmos,
mas destaca o aumento da participação da Venezuela entre os compradores
de arroz em casca brasileiro. “Havia preocupação de que mudanças no
cenário político venezuelano pudessem alterar o fluxo comercial,
hipótese que não se confirmou. Pelo contrário, o mercado se consolidou e
apresentou maior segurança para as negociações”, avalia.
O presidente da Federarroz ressalta ainda
que o comércio exterior tem absorvido uma parcela importante da produção
disponível. No primeiro semestre, a balança comercial do arroz
apresentou superávit de aproximadamente 400 mil toneladas. “A nossa
expectativa é de que o Brasil alcance cerca de 2 milhões de toneladas
exportadas ao longo de 2026, com um dos maiores saldos comerciais dos
últimos anos”, projeta.
Segundo Nunes, esse cenário já começa a
repercutir no mercado interno. “Os preços iniciaram um processo de
recuperação e a tendência é de continuidade da valorização nos próximos
meses, resultado do trabalho realizado para ampliar o escoamento da
safra durante o primeiro semestre”, aposta.
Para o segundo semestre, o dirigente vê um
ambiente mais favorável para a cadeia produtiva do arroz. “A evolução
dos preços dependerá, principalmente, do comportamento da safra
norte-americana e da produção nos países asiáticos, que já sofrem
influência do fenômeno El Niño”, conclui.