O número de mortos devido a um incêndio que atingiu um bar de Bancoc,
capital da Tailândia, subiu para 30, informaram as autoridades nesta
terça-feira (14), enquanto familiares das vítimas ainda aguardam a
identificação de alguns dos corpos.
A
polícia investiga possíveis negligências e falhas no cumprimento das
normas de segurança que levaram à tragédia, e o governador de Bancoc,
Chadchart Sittipunt, prometeu reforçar a fiscalização de
estabelecimentos noturnos.
O
episódio ocorreu na madrugada de segunda-feira (13) no horário local, e
27 pessoas foram declaradas mortas ainda no mesmo dia. Três pessoas que
estavam hospitalizadas morreram posteriormente. Ao todo, 75 pessoas
ficaram feridas, sendo que 24 permanecem em estado crítico.
O
bar Rong Beer Na Lat Phrao, localizado em um cruzamento movimentado
próximo a estações de trem e a dois shopping centers, faz parte de um
conjunto de bares que costumam ficar lotados nas noites de fim de
semana, com música ao vivo e transmissões de partidas de futebol.
As
autoridades afirmam que um curto-circuito em um aparelho de
ar-condicionado instalado no teto pode ter provocado o incêndio. O
estabelecimento havia passado por uma inspeção de segurança em abril.
A
polícia investiga se as saídas de emergência estavam obstruídas e se
materiais inflamáveis foram utilizados na decoração do palco e no
isolamento acústico. Segundo o chefe da Polícia Nacional, Kittiratt
Phanphet, a negligência é a principal linha de investigação.
"Montamos
um comitê para investigar o que realmente aconteceu, identificar o que
precisa ser melhorado e quais regras devem ser alteradas", disse o
governador de Bancoc, Chadchart Sittipunt, a jornalistas nesta
terça-feira.
"Faremos mais inspeções aleatórias."
A
polícia informou que 34 pessoas já foram ouvidas e que possíveis
acusações serão analisadas após a conclusão da coleta de fatos e provas.
O proprietário do pub está entre os internados em uma unidade de
terapia intensiva (UTI).
No
necrotério do Hospital Geral da Polícia, familiares e amigos chegavam
para reconhecer e retirar os corpos de seus entes. Booyaporn Sermsiri,
51, estava no local à procura de sua filha de 25 anos, Jawaee Sermsiri,
que continua desaparecida.
"Como ainda não a encontramos, só nos resta esperar. Nos agarramos à esperança", disse.
Sermsiri
disse que forneceu uma amostra de DNA e aguarda os resultados dos
exames. Três vítimas ainda não foram identificadas, segundo as
autoridades.
Em
frente ao Rong Beer Na Lat Phrao, familiares lamentavam a morte de seus
entes enquanto peritos recolhiam evidências no local. Em sua página nas
redes sociais, o bar publicou um pedido de desculpas pelo incêndio e
afirmou estar colaborando plenamente com as investigações.
Com
base nos relatos de sobreviventes, as autoridades acreditam que o
incêndio começou na área do palco e se espalhou de forma rápida, levando
muitas pessoas a fugir para o fundo, em direção aos banheiros. Segundo a
polícia, a maioria dos corpos foi encontrada nessa área.
A
situação lembra o que ocorreu no incêndio da Boate Kiss. Para se
proteger da fumaça ou achar a saída, muitos jovens acabaram encurralados
nos banheiros, único local onde uma luz de emergência permaneceu acesa.
A
polícia da Tailândia investiga se as saídas de emergência eram
acessíveis. Segundo uma autoridade, uma delas estava bloqueada por uma
estante, permitindo a passagem de apenas uma pessoa por vez. Os
investigadores também analisam a instalação elétrica do prédio, que tem
cerca de 50 anos.
Durante
uma inspeção no bar, um funcionário informou que uma porta que antes
servia como saída de emergência havia sido trancada com ferrolho porque o
proprietário temia que clientes deixassem o local sem pagar.
A
porta podia ser aberta para o lado de fora, mas estava identificada
como "somente funcionários", o que, segundo autoridades, provavelmente
impediu que fosse usada durante a fuga.