Uma nova prática adotada por caminhoneiros passou a preocupar
concessionárias e órgãos de trânsito em rodovias federais, especialmente
em trechos com cobrança automática de pedágio, onde motoristas escondem
parcialmente a placa do veículo para dificultar a identificação pelas
câmeras.
Esse é o sistema de cobrança que está sendo cobrado em Rondônia, após a
concessão da BR 364 à iniciativa privada. Mesmo com a gritaria da
população, a classe política local não consegue reverter o procedimento,
e nem baixar o valor das tarifas cobradas que, segundo a impressão
geral no Estado, são as mais caras do Brasil.
Enquanto o sistema Free Flow avança no país como alternativa às praças
tradicionais, cresce também o número de tentativas de evasão, que já
ultrapassam 6 milhões de registros em rodovias federais nos últimos três
anos, segundo dados do setor.
Além das manobras conhecidas em cabines convencionais, como atravessar
sem pagar ou aproveitar a passagem do veículo à frente, parte dos
condutores passou a recorrer à ocultação da placa para escapar da
cobrança automática feita por leitura eletrônica.
Além de passar sem quitar a tarifa em cabines convencionais, alguns
condutores tentam colar no veículo da frente ou ocultar dados de
identificação para escapar das câmeras.
Truque usado por caminhoneiros preocupa concessionárias
Entre os métodos identificados recentemente, um dos mais comentados
envolve o uso do degrau instalado originalmente na grade frontal de
caminhões, peça que pode ser deslocada de forma irregular para encobrir
parcialmente a placa do veículo durante a passagem pelos pedágios.
Com a identificação comprometida, câmeras instaladas em praças
tradicionais e pórticos eletrônicos deixam de registrar corretamente os
dados do veículo, dificultando a emissão automática da cobrança e também
a eventual aplicação de penalidades relacionadas à evasão.
A prática chamou atenção das concessionárias porque não exige
equipamentos improvisados nem alterações complexas na estrutura do
caminhão, já que o próprio componente da cabine acaba sendo usado como
barreira visual contra os sistemas de leitura eletrônica.
O recurso já faz parte da cabine e, quando usado de forma irregular,
funciona como obstáculo visual contra sistemas de fiscalização baseados
em reconhecimento de imagem.
Mesmo assim, circular com a placa encoberta ou com parte do veículo em
desacordo com as regras de trânsito pode gerar autuação.
O Código de Trânsito Brasileiro prevê punições para irregularidades
ligadas à identificação veicular e à evasão de pedágio.
Multa por evasão de pedágio e ocultação de placa
A evasão de pedágio é classificada como infração grave.
A penalidade é de R$ 195,23, além de cinco pontos na Carteira Nacional
de Habilitação.
A regra também se aplica a condutas de transpor bloqueio viário sem
autorização ou deixar de pagar a tarifa devida.
No caso da placa encoberta, a irregularidade pode enquadrar o motorista
em infrações previstas no CTB, conforme a situação verificada pela
fiscalização.
A ocultação dificulta a identificação do veículo e pode impedir a
responsabilização do condutor.
Além do valor da multa, a concessionária pode registrar o débito da
tarifa não paga.
Assim, a autuação não elimina a cobrança do pedágio, que continua
vinculada à passagem do veículo pelo trecho concedido.
Câmeras e monitoramento eletrônico ampliam fiscalização
Para tentar reduzir as fraudes, concessionárias intensificaram o uso de
câmeras inteligentes, leitura automática de placas e sistemas integrados
de monitoramento capazes de identificar veículos que passam sem
realizar o pagamento obrigatório da tarifa.
A Arteris, que administra rodovias no Sul e no Sudeste, informou que usa
monitoramento eletrônico para identificar veículos que passam sem
pagar.
A tecnologia permite registrar imagens, consultar histórico de evasões e
encaminhar dados aos órgãos responsáveis pela autuação.
O sistema também ajuda a identificar reincidências, especialmente em
trechos com grande circulação de caminhões e veículos comerciais.
Segundo a concessionária, praças monitoradas em São Paulo, Rio de
Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná já contam com ferramentas
desse tipo.
A empresa afirma que a combinação de fiscalização eletrônica e análise
de dados reduziu ocorrências em parte das rodovias administradas.
Em novembro de 2025, a Arteris registrou queda de 11,25% nas evasões em
relação ao mesmo mês de 2024, de 187,8 mil para 166,7 mil ocorrências.
Em dezembro, mesmo com aumento do fluxo de fim de ano, a redução
informada foi de 6,6%.
Sistema Free Flow volta ao centro do debate
O Free Flow começou a operar no Brasil em março de 2023, no Rio de
Janeiro, como alternativa ao pedágio tradicional.
Nesse modelo, o veículo passa por pórticos instalados na rodovia, e a
cobrança é feita por leitura de placa ou identificação eletrônica.
A promessa do sistema é reduzir filas, melhorar o fluxo e eliminar
paradas em praças físicas.
No entanto, a mudança também trouxe dúvidas sobre prazos de pagamento,
canais oficiais de consulta e aplicação de multas para quem não
regulariza a tarifa.
O tema voltou ao centro do debate em abril de 2026, quando o governo
federal anunciou a suspensão de 3,4 milhões de multas relacionadas ao
Free Flow.
A medida deu prazo de 200 dias para motoristas quitarem tarifas vencidas
sem receber multa nem pontos na CNH.
A decisão foi apresentada como uma fase de transição para adaptar
usuários ao novo modelo.
O governo informou que a suspensão valeria para multas ligadas ao não
pagamento dentro do prazo, desde que os débitos fossem regularizados
conforme as regras estabelecidas.
Evasões em rodovias federais seguem em alta
Com a expansão das cabines automáticas e dos pórticos eletrônicos nas
rodovias brasileiras, a fiscalização passou a depender cada vez mais da
leitura correta das placas para garantir a cobrança das tarifas de
circulação.
Sem a barreira física da praça tradicional, a identificação correta do
veículo passou a ser ponto central para a cobrança.
Por isso, esconder a placa se tornou uma tentativa direta de burlar o
sistema.
Em rodovias com Free Flow, a câmera precisa identificar o veículo para
gerar a cobrança, e qualquer obstáculo na placa pode comprometer o
registro.
Levantamentos citados pelo setor indicam que as evasões em rodovias
federais passaram de 3,9 milhões para mais de 6 milhões nos últimos três
anos.
O número reforça a pressão sobre concessionárias e órgãos públicos para
aprimorar a fiscalização.
Enquanto isso, motoristas também cobram mais clareza sobre canais de
pagamento e prazos.
A existência de sites falsos e golpes relacionados ao pedágio eletrônico
aumentou a necessidade de comunicação oficial, especialmente para quem
não usa tag automática.
Fiscalização tenta separar falhas e fraudes
A disputa em torno do Free Flow envolve dois pontos principais: garantir
a cobrança da tarifa e evitar punições indevidas.
Para funcionar corretamente, o sistema precisa registrar a passagem,
identificar o veículo e oferecer meios acessíveis para pagamento.
Quando o condutor altera a placa ou usa partes do veículo para impedir a
leitura, a prática deixa de ser falha operacional e passa a ser conduta
irregular.
Nesses casos, a fiscalização eletrônica pode ser combinada com imagens,
histórico de passagem e comunicação aos órgãos de trânsito.
O avanço da tecnologia nas rodovias tende a aumentar a capacidade de
detecção.
Ainda assim, a efetividade depende de integração entre concessionárias,
órgãos autuadores e canais de atendimento, para separar inadimplência
por desconhecimento de tentativas deliberadas de fraude.